O papel da timomodulina no combate a vírus

I – Como a Timomodulina atua no sistema imunológico?

A Timomodulina é derivada de um lisado ácido de timo de vitelo, obtida através de um método patenteado na Itália. É constituída essencialmente pela lise parcial ácida do timo até a forma de peptídeos de baixo peso molecular (< 10.000 Daltons), aptos à absorção intestinal1.

A Timomodulina é classificada, do ponto de vista biológico, como um agente imunomielomodulador, porque é capaz de agir sobre o sistema imunológico, em particular sobre linfócitos T, B e NK (Natural Killer Cells), e também é capaz de modular a diferenciação e proliferação das células precursoras da medula óssea1.

A Timomodulina modula a maturação e a função dos linfócitos T1

Figura 1: Hematopoietic stem and progenitor cell trafficking. Trends in immunology 20112.

 

O estado imunológico de um paciente pode ser avaliado através da análise das subséries de linfócitos T (CD4+ / CD8+) no sangue periférico1.

Cazzola e colaboradores analisaram o efeito modulador in vivo da Timomodulina sobre as subséries de linfócitos T e a relação CD4+ / CD8+. Realizaram um estudo retrospectivo de 130 pacientes com diferentes doenças, incluindo: dermatite atópica, bronquite crônica, hepatite viral, infecção por HIV e infecções respiratórias recidivantes3.

Foram divididos em 3 grupos segundo a relação CD4+/CD8+:3

  1. 40 pacientes tinham uma relação CD4+ / CD8+ baixa (0,72 ± 0,22)
  2. 78 pacientes apresentaram-se dentro da variação normal (1,53 ± 0,36)
  3. 12 casos mostraram uma relação CD4+ / CD8+ elevada

Depois de 3 meses de tratamento com Timomodulina administrada oralmente na dose de 2,3 mg/kg de peso/dia foram observadas normalizações das relações CD4+ / CD8+ baixas e altas, e uma observação deve ser destacada, no grupo que tinha a variação normal CD4+ / CD8+, a Timomodulina induziu somente modificações leves, não significativas, nas subséries das células T, explicando a terminologia imunomodulador3.

O mecanismo de ação da Timomodulina pode ser assim resumido1:

1- Modula a medula óssea na diferenciação e proliferação das células precursoras principalmente linfócitos T e B.

2- Os linfócito B são lançados na circulação já maduros, entretanto, os linfócitos T saem imaturos para posterior amadurecimento no Timo.

3- O timo recebe os linfócitos T imaturos da medula óssea e inicia o processo de maturação, capacitação com os clusters de diferenciação (CD4+, CD8+ entre outros) e a liberação destes, agora maduros e funcionantes, para corrente sanguínea.

 

 

A ação dos linfócitos T e B se somam na defesa do organismo, aumentando a resistência imunológica, potencializando as defesas e, desse modo, reduzindo a pontuação de sinais e sintomas dos episódios infecciosos febris virais e bacterianos1.

II – Como um sistema imunológico competente responde a infecções virais?

A imunidade ou resistência do hospedeiro contra infecções virais depende da atuação integrada da resposta imune inata e da resposta imune adquirida5.

Os mecanismos envolvidos na resposta imune inata atuam imediatamente após o contato do hospedeiro com os antígenos virais, não possuem capacidade de discriminação entre os vírus e não necessitam de exposição prévia para serem desencadeados5.

Os mecanismos envolvidos na resposta imune adquirida desenvolvem-se sequencialmente, de forma mais lenta e sincronizada, resultando na indução de células e moléculas efetoras, que irão combater o agente, e de células de memória, que possuem vida longa e que serão mais rápida e efetivamente reestimuladas em exposições subsequentes ao mesmo agente5.

Esta resposta imune adquirida é mediada pelos linfócitos T e por anticorpos produzidos por células derivadas dos linfócitos B5.

 

 

Figura 3: Uma semana após a infecção viral temos a resposta adquirida, mediadas pelos linfócitos T e logo a seguir a resposta de memória e produção de anticorpos pelos linfócitos B5.

 

A Timomodulina induz a maturação de Linfócitos T, com efeito cascata sobre as funções dos Linfócitos B, modulando a função imunológica, estimulando a linfocitopoiese e a fagocitose celular pelos fagócitos, aumentando assim, a resposta imunológica contra os ataques virais.

Um estudo foi realizado no Instituto de Infectologia do Hospital Emilio Ribas (SP) com 48 pacientes de idade entre 23 dias e 9 anos portadores de doenças virais sarampo e varicela, com ou sem complicações bacterianas secundárias.

As crianças foram divididas em dois grupos com 24 cada um:

Grupo 1: foi tratado com Timomodulina xarope na dose de 0,6 mg/kg/dia por sete dias

Grupo 2: serviu de controle e utilizou um xarope placebo.

Ambos os grupos receberam, segundo as necessidades, terapia com antibióticos. Ocorreram duas mortes por complicações no grupo controle.

A avaliação da eficácia do tratamento com Timomodulina foi efetuada comparando-se nos dois grupos o número de dias febris, a duração do período de hospitalização, a variação do número de leucócitos e de plaquetas, assim como os valores absolutos e percentuais dos neutrófilos e dos linfócitos, antes e após a terapia com Timomodulina.

A comparação do número de dias febris entre os grupos registrou uma redução estatisticamente significativa (p< 0,001) do período febril e a favor do grupo tratado com Timomodulina.

O número de dias de internação também foi menor no grupo que recebeu a Timomodulina.

 

A conclusão mostrou que a Timomodulina é eficaz e segura nos processos infecciosos virais.

 

Referências Bibliográficas

  1. Kouttab NM, Prada M, Cazzola P. Thymomodulin: biological properties and clinical applications. Medical Oncology & Tumor Phamzacotherapy. 1989, 6(l):5.
  2. Mazo, I. B., Massberg, S., & von Andrian, U. H. (2011). Hematopoietic stem and progenitor cell trafficking. Trends in immunology, 32(10), 493-503.
  3. Cazzola P., Mazzanti P., Bossi G: In vivo modulating effect of a calf thymus acid lysate on human T lymphocyte subsets and CD4+/CD8+ ratio in the course of different diseases. Curr Ther Res 1987. 42: 1011.
  4. Blumberg R S., Schooley R T: Lymphocyte markers and infections diseases. Sem Hemat 1985. 22: 81.
  5. Kreutz LC. Resposta imunológica contra vírus. Disponível em: https://setordevirologiaufsm.files.wordpress.com/2012/10/livro-virologia-capc3adtulo-9.pdf.
  6. Castro IO, Florin RMC, Niskier SR, Benzaolo RM, Minkoves R, Khoury Z.
    Avaliação clínica e laboratorial sobre o emprego da timomodulina em pacientes com sarampo e varicela. F Méd (Br) 1986, 92 (4) :301-304.

 

TADEU FERNANDO FERNANDES

CRM – SP – 46876    RQE nº 55494

  • Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Associação Médica Brasileira (AMB)
  • Especialização em Early Nutrition (ENS) pela Ludwig-Maximilians University Munich
  • American Academy of Pediatrics – AAP Membership
  • Presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)
  • Secretário do Departamento de Pediatria Ambulatorial da SPSP

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