Uso de timomodulina em idosos

  1. EFEITOS DO ENVELHECIMENTO NO SISTEMA IMUNOLÓGICO: IMUNOSSENESCÊNCIA

O envelhecimento populacional é, hoje, um proeminente fenômeno mundial. No sentido biológico, envelhecer é entendido como um processo natural (irreversível) e progressivo, que faz parte do ciclo da vida do ser humano1.

O processo de envelhecimento é um fenômeno complexo que submete o organismo a inúmeras alterações anatômicas, fisiológicas e psicossomáticas, afetando sua integridade, permitindo o surgimento das doenças crônico-degenerativas e predispondo a uma maior morbimortalidade2.

Dentre os órgãos e sistemas do organismo humano que sofrem essas alterações, o sistema imunitário é um dos mais atingidos no envelhecimento, sofrendo modificações nas subpopulações celulares, nos padrões de secreção de citocinas, na tolerância imunológica, entre outras funções1.

O termo IMUNOSSENESCÊNCIA usualmente refere-se às disfunções do sistema imunitário relacionadas com a idade que contribuem para uma maior incidência de doenças infecciosas ou mesmo crônico-degenerativas3.

Na atualidade, acredita-se que não apenas doenças, mas também achados clínicos comumente envolvidos com o envelhecimento, tais como a perda de massa muscular, o aumento dos níveis plasmáticos de proteínas de fase aguda e a diminuição sérica de microelementos essenciais, sejam consequências de desequilíbrios1.

Apesar de todas as células imunologicamente ativas poderem exibir alterações relacionadas à idade, os linfócitos T são as células efetoras da resposta celular que mais sofrem os efeitos do envelhecimento4.

Uma das características do sistema imunitário do idoso é a involução do timo, que sofre uma alteração histológica, uma vez que o tecido linfoide é gradualmente substituído pelo tecido adiposo, o que provoca diminuição progressiva na capacidade de proliferação de linfócitos T1-4.

Com o envelhecimento, uma outra alteração que ocorre no sistema imunológico é o aumento na proporção das células de memória, quando comparadas com as células virgens, o que consequentemente diminui a ação de defesa contra novos antígenos e pode deixar o organismo mais vulneráve1.

Outro tipo celular fundamental para a resposta imunológica são os linfócitos B. Estes, por sua vez, não apresentam alterações significativas em termos de funções e de variações numéricas no sangue periférico de indivíduos idosos. Suas modificações estão relacionadas com as alterações sofridas pelos linfócitos T, que apesar de serem células morfologicamente diferentes, realizam suas funções em conjunto2.

Células NK (Natural Killer) são linfócitos granulares que expressam em sua superfície receptores CD (Clusters de Diferenciação) que possuem a função de lisar determinados tumores e células infectadas por vírus sem a necessidade de uma sensibilização prévia. Com o envelhecimento, o número de células NK aumenta, mas não a sua atividade citotóxica5.

O processo de IMUNOSSENESCÊNCIA vem sendo estudado sob aspectos celulares, moleculares e genéticos, com o objetivo de prognosticar doenças e intervir na prevenção das mesmas1.

 

  1. COMO REFORÇAR O SISTEMA IMUNE DOS IDOSOS

As infecções são consideradas como uma desordem frequente em idosos. As infecções respiratórias agudas (IRAs) são responsáveis por mais de 50% de todos os tipos de infecções neste grupo etário, seguido por geniturinário, pele e infecções gastrointestinais6.

As infecções respiratórias agudas duram mais e são associadas com maior mortalidade e morbidade. O declínio na resposta imune é acreditado para ser uma importante causa de aumento do risco de infecções em idosos6.

Muitos fatores, incluindo, entre outros, idade, predisposição genética, tabagismo e estado nutricional, podem afetar a função imunológica. Uma ingestão adequada de vitaminas, fitoquímicos e oligoelementos são necessárias para a funcionalidade do sistema imune e proteção às espécies reativas de oxigênio (ROS)7.

Os extratos líquidos de timo têm sido utilizados para ajudar a restaurar a imunidade celular. Estudos mostram que a Timomodulina pode ser considerada um agente imunomielomodulador porque é capaz de agir sobre o sistema imunológico, em particular sobre linfócitos T, B e NK (Natural Killer Cells), e também é capaz de modular a diferenciação e proliferação das células precursoras da medula óssea8.

A Timomodulina modula a maturação e a função dos linfócitos T8.

 

III. EXTRATOS TÍMICOS NA REDUÇÃO DE INFECÇÕES DE PACIENTES IDOSOS e COM DOENÇAS RESPIRATÓRIAS CRÔNICAS

O declínio particularmente do sistema de células T está relacionado à involução tímica progressiva, conhecida como “menopausa tímica”, a qual é acompanhada por um decréscimo nos níveis séricos dos hormônios tímicos8.

O tratamento de indivíduos idosos com Timomodulina em diferentes dosagens induziu, no plasma, o reaparecimento de uma atividade do Fator Tímico (FTS12), corrigiu o baixo número de linfócitos do sangue periférico, melhorou a produção de espécies reativas de oxigênios (ROS) por monócitos e aumentou a hipersensibilidade retardada cutânea8-9.

Estudos duplo-cego revelaram que a Timomodulina foi capaz de reduzir o número de infecções respiratórias recidivantes (IRR) em comparação com o ano anterior e com o grupo placebo, esta melhora clínica foi associada com um aumento nas células CD3+ e CD4+, na função neutrófila e nos níveis salivares de IgA10.

Pacientes com bronquite crônica têm uma maior prevalência de infecções respiratórias, as quais levam frequentemente a uma deficiência respiratória aguda11. Um estudo de Sofia e colaboradores mostrou que a administração da Timomodulina na dose de 120 a180 mg/dia durante 2 a 3 meses preveniu as reincidências de infecções aumentando a resposta fagocítica de macrófagos alveolares e imunoglobulinas do soro11.

Pacientes com doenças alérgicas, além dos altos níveis de IgE no soro, têm frequentemente uma constelação de outros defeitos imunológicos e particularmente um distúrbio de Linfócitos T, principalmente dos linfócitos T supressores12.

A administração oral da Timomodulina no curso da rinite alérgica perene, asma brônquica e dermatite atópica melhorou sintomas clínicos e reduziu a frequência de episódios alérgicos agudos, títulos de IgE e o número de eosinófilos. Um aumento de IgG e IgA foi observado nestes indivíduos, a Timomodulina foi também usada para potencializar os efeitos da imunoterapia específica em pacientes com asma10-12-13.

 

IV- CONCLUSÃO

A TIMOMODULINA se apresenta como uma alternativa eficaz e segura quando se deseja uma imunomodulação, nos casos de IMUNOSSENESCÊNCIA seu uso pode ajudar na prevenção dos agravos imunológicos. Seu uso em todo mundo nos últimos 28 anos associado às evidências científicas dos estudos clínicos e laboratoriais, in vitro e in vivo, mostra que o lisado ácido de timo purificado e padronizado pode ajudar na modulação das defesas, pela ativação da imunidade celular.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. Tonet AC, de Toledo Nóbrega O. Imunossenescência: a relação entre leucócitos, citocinas e doenças crônicas. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia 2008, 11(2), 259-273.
  2. Luz C, Dornelles F, Preissler T, Collaziol D, Cruz IM, Bauer ME. Impact of

psychological and endocrine factors on cytokine production of healthy elderly people. Mech Ageing Dev 2003;124(8-9):887-95.

  1. Tarazona R, Solana R, Ouyang Q, Pawaelec G. Basic biology and clinical impact of immunosenescence. Exp Gerontol 2002; 37: 183-89.
  2. Rink L, Cakman I, Kirchner H. Altered cytokine production in elderly. Mech Ageing Dev 1998; 102: 199-209.
  3. Franceschi C, Bonafè M, Valensin S, Olivieri F, De Luca M, Ottaviani E, De Benedictis G. Inflamm-aging. An evolutionary perspective on immunosenescence. Ann N Y Acad Sci 2000; 908: 244-54.
  4. Agondi RC, Rizzo LV, Kalil J, Barros MT. Imunossenescência. Revista Brasileira de Alergia e Imunopatologia 2012, v. 35, p. 169-176.
  5. Malafaia G. As consequências das deficiências nutricionais, associadas à imunossenescência, na saúde do idoso. Arquivos Brasileiros de Ciências da Saúde 2008, v.33, n. 3, p. 168-76.
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  7. Braga, PC, Sasso MD, Maci S, Piatti G, Palmieri R, Bruno L, Albanese C. Restoration of polymorphonuclear leukocyte function in elderly subjects by thymomodulin. Journal of chemotherapy 1997, 6(5), 354-359.
  8. Fiocchi A, Borella E, Riva E, Arensi D, Travaglini P, Cazzola P, Giovannini M. A double-blind clinical trial for the evaluation of the therapeutical effectiveness of a calf thymus derivative (Thymomodulin) in children with recurrent respiratory infections. Thymus 8: 331 (1986).
  9. Sofia M, Molina A, Mormile M, De Simone F, Carratu L. Studio in doppio cieco sull’efficacia dela Timomodulina per orale via nella prevenzione delle riacutizzazioni in corso bronchite cronica. Ital Mal Torace 41: 339.
  10. Marzari R, Mazzanti P, Cazzola P, Pirodda E. Rinopatia allergica pe renne. Profilassi degli episodi acuti mediante 1′ impiego di Timomodulina. Miner Med 1987. 78: 1675.
  11. Genova R, Guerra A. Un estratto di timo (Timomodulina) nella profilassi dell’asma infantile. Ped Med Chir 1983 5: 395.

 

 

TADEU FERNANDO FERNANDES

CRM – SP – 46876    RQE nº 55494

  • Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Associação Médica Brasileira (AMB)
  • Especialização em Early Nutrition (ENS) pela Ludwig-Maximilians University Munich
  • American Academy of Pediatrics – AAP Membership
  • Presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)
  • Secretário do Departamento de Pediatria Ambulatorial da SPSP

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